quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Conflitos Armados e Terrorismo

Natureza dos conflitos
No mundo contemporâneo tem havido conflitos de várias naturezas.

Ø Lutas entre grupos étnicos diferentes. (controle político em um país)
Ø Uma nação lutando pela divisão de parte de um território estatal para constituir um novo Estado.
Ø Guerra entre dois Estados nacionais.

Atualmente uma das preocupações principais dos governos e cidadãos é o terrorismo, principalmente nos países desenvolvidos.

Os conflitos étnicos e nacionalistas
Na década de 1990, ao mesmo tempo que muitos Estados se empenharam em fazer acordos que visavam à maior integração econômica, social e política entre si, em outros ocorreu uma desintegração territorial, como foi o caso das antigas União Soviética (URSS) e Iugoslávia.
Em alguns países, mesmo não havendo fragmentação territorial, há movimentos separatistas de minorias étnicas que anseiam por autonomia, como bascos (Espanha), chechenos (Rússia), curdos (Turquia) e ibos (Nigéria). Em geral esse separatismos estão associados a movimentos nacionalistas que buscam a autodeterminação, o controle de um território e a formação de um Estado soberano, às vezes utilizando métodos terroristas.
Seguem algumas questões que discutimos.
Esses movimentos estão na contramão da história?
Qual é a tendência do mundo globalizado?
E a crescente integração, especialmente em nível regional?

O terrorismo

“Prática política de quem recorre sistematicamente à violência contra as pessoas ou as coisas provocando o terror.”
Dicionário de política: Noberto Bobbio
Características:
Ø Intimidar.
Ø Disseminar o medo.
Ø Atingir algum fim.
Ø Difusão de uma ideologia.
Ø Autonomia político-territorial.
Ø Auto-afirmação étnica ou religiosa. Etc.
Guerrilheiros e Terroristas
Guerrilheiros X Terroristas.
Em geral os guerrilheiros atacam alvos militares e pontos estratégicos do Estado em que atuam. Preocupam-se em fazer o mínimo de vítimas civis e procuram conquistar a simpatia e o apoio da população para a sua causa, porém as vezes podem lançar mão de métodos terroristas.
Já os terroristas procuram fazer o máximo de vítimas civis, com a intenção de causar pânico, e não se interessam em estabelecer nenhum diálogo com a população nem obter o seu apoio.

Exemplos de grupos guerrilheiros:
Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), Nicarágua – 1979.
Organização pra Libertação da Palestina (OLP) – 1980.
Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc) – ainda em atuação.



Há grupos que adotam táticas terroristas contra um Estado nacional tentando separar parte do seu território ou expulsar tropas de ocupação. Encaixam-se nessa definição o ETA (espanhol), o IRA (irlandês) e os grupos terroristas chechenos. É o caso também dos atuais grupos terroristas palestinos, como o Hamas e o Jihad Islâmica, que reivindicam territórios ocupados por Israel.
Há grupos que espalham o terror como afirmação do seu fundamentalismo religioso contra a hegemonia da sociedade cristã ocidental, representada pelos Estados Unidos. Parece ser o caso da rede terrorista Al Qaeda, liderada pelo milionário Osama Bin Laden.
Terrorismo praticado pelo Estado.

Ø URSS – Partido Comunista da União Soviética (PCUS), liderado por Josef Stálin, perseguia seus opositores e mandavam para campos de concentração nos anos 1920.

Ø Alemanha – Ascensão nazista sob a liderança de Hitler no início dos anos 1930. O Estado promoveu um verdadeiro processo de genocídio.

Ø África do Sul – Regime do apartheid (“Separação” em africâner), vigorou de 1948 a 1994. O aparelho estatal dominado pelos brancos explorava os negros, que viviam confinados em guetos, coagidos pela violência, sem direitos políticos mínimos.

Ø Brasil – Ditadura militar, de 1964 até 1985, quando milhares de pessoas foram presas, torturadas e até assassinadas, sem nenhum tipo de julgamento ou condenação, apenas porque faziam oposição ao governo vigente.
Principais grupos terroristas.
Ø Al Qaeda (“a base”)

Ø ETA (Euskadi Ta Askatasuna – “Pátria Basca e Liberdade)

Ø IRA (Irish Republican Army – Exército Republicano Irlandês)

Al Qaeda
Conhecida por outros nomes, como Frente Islâmica mundial pela Guerra Santa contra os Cruzados e também A Rede (ou Organização). Tem sua origem no final dos anos 1980, quando Osama Bin Laden ajudou a formar os mujahedins, combatentes islâmicos, em sua maioria árabes que foram lutar no Afeganistão contra a ocupação Soviética (1979 – 1989). Os mujahedins inicialmente receberam o apoio financeiro de Bin Laden e depois dos Estados Unidos. Além disso, os norte-americanos forneceram armas e treinamento militar aos combatentes no Afeganistão.

Expulsos os soviéticos, instaurou-se uma luta pelo poder no Afeganistão, com a vitória do movimento Taliban, apoiado pelo Paquistão. O novo regime passou a dar suporte à causa antiamericana de Bin Laden, convertendo o Afeganistão num centro de treinamento de terroristas.



ETA
Mais atuante movimento nacionalista separatista europeu é o da nação basca. A Região habitada pelos bascos abrange quatro províncias espanholas e três francesas, porém sua atuação se dá sobretudo no território espanhol.
O grupo, fundado em 1958 com o intuito de difundir os valores tradicionais da cultura basca, tinha fins pacíficos, não era uma organização terrorista. Porém, com a perseguição do governo espanhol, na época sob a ditadura do general Francisco Franco, que durou de 1939 a 1975, o grupo foi posto na clandestinidade em 1966 e iniciou sua atuação terrorista. Desde então os alvos fazem parte do governo espanhol, dentro e fora das províncias bascas.

IRA
A Irlanda foi integrada em 1801 ao reino Unido. No entanto, o movimento nacionalista irlandês saiu vitorioso na Guerra Anglo-Irlandesa (1918-1991). Como resultado o sul da Irlanda ganhou estatuto de Estado Livre e proclamou sua independência em 1949, com o nome de República da Irlanda. A Irlanda do Norte permaneceu sob domínio do Reino Unido, com autonomia limitada.
Na Irlanda do Norte 54% da população é protestante e 46%, católica. Em geral os primeiros querem permanecer vinculados ao Reino Unido e os últimos querem independência. Ao conflito nacionalista de resistência a Inglaterra somou-se o conflito religioso, que assumiu um caráter de guerra civil.
Durante muito tempo o IRA teve uma atuação pacífica. No final dos anos 1960, a população católica da Irlanda do Norte intensificou o movimento pelos direitos civis e contra leis discriminatórias impostas pelos protestantes. Após o chamado Domingo Sangrento, em 30 de Janeiro de 1972, quando soldados britânicos abriram fogo contra uma manifestação de católicos e mataram 13 pessoas.
Desde então o IRA transformou-se na mais atuante e temida organização terrorista da Europa, fez vários atentados contra alvos ingleses, sempre tentando afastar o domínio britânico da Irlanda do Norte e anexá-la à República da Irlanda.

A fragmentação da União Soviética
A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foi criada como desdobramento da Revolução Russa de 1917. com a vitória dos revolucionários sob a liderança de Lênin (1870 – 1924) e consequente ascensão ao poder do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), o capitalismo foi abolido, a economia foi estatizada e, depois, planificada.
Do ponto de vista político, o país se transformou numa ditadura de partido único, passou a ser governado exclusivamente pelo PCUS, sediado em Moscou.
Em 1985, Mikhail Gorbatchev assumiu o cargo de secretário geral do PCUS, dando início as reformas do plano político e econômico.
Ø Plano Político – Glasnost (Transparência)

Ø Plano EconômicoPerestroika (Reestruturação)




O mundo bipolar começou a ruir com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e desmoronou totalmente com o fim da União Soviética em 1991.






A questão Separatista da Chechênia
1ª Guerra – 1994 – 1996
2ª Guerra – 1999
Guerrilheiros terroristas invadem uma teatro em 2003 em Moscou e em 2004 invadiram uma escola na cidade de Beslam, na Ossétia do Norte. Ao todo morreram 450 pessoas nesses ataques, 150 no 1º e 300 no 2º.
Por que a Rússia não aceita a independência da Chechênia?
Território localizado próximo do Cáucaso (cordilheira que separa a Europa da Ásia) e do Mar Cáspio, é estratégico para Moscou.
Questões políticas. A independência desse território poderia estimular novos movimentos separatistas, motivados por questões étnicas.

A fragmentação da Iugoslávia
A Iugoslávia foi criada numa região da Europa chamada Bálcãs, inicialmente com o nome de Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. Em 1929, foi adotado o Reino do Iugoslávia. Após a Segunda Guerra mundial, com a chegada dos comunistas ao poder, adotando a economia planificada, controlado pelo Estado, e o regime de partido único.
Territorialmente o país foi organizado em seis repúblicas, que abrigavam as etnias majoritárias – Sérvios, Croatas, Eslovenos, Eslavos Mulçumanos, Macedônicos e Montenegrinos -, com capital em Belgrado da Sérvia. Mais tarde, foram criadas duas regiões autônomas na Sérvia: Kosovo e Voividina, que abrigavam, respectivamente, albaneses e húngaros, etnias majoritárias nessas regiões, mas minoritárias no conjunto do país.
A antiga Iugoslávia era um grande mosáico de etnias, línguas, religiões e costumes. Apesar de o país não fazer parte do bloco soviético, os ventos liberalizantes da glasnost e da perestroika também chegaram lá.
E as minorias historicamente oprimidas pelos sérvios resolveram expressar suas aspirações. Na Iugoslávia, eram marcantes as diferenças religiosas entre sérvios (ortodoxos), eslovenos e croatas (cristãos), bósnios, macedônicos e albaneses (mulçumanos). Essas diferenças foram o ponto central dos vários conflitos no país.
Em 1991, a Eslovênia declarou sua independência. Ainda naquele ano, a atitude eslovena foi seguida pela Croácia e pela Macedônia e em 1992, pela Bósnia-Herzegovina, levando ao desmembramento da federação Iugoslávia.
Desde então a Iugoslávia ficou restrita às repúblicas da Sérvia e de Montenegro. Nos anos 90, ocorreram duas guerras étnicas, a da Bósnia (1992-1995), em que os Sérvios se confrontaram com os bósnios e os croatas, e a de Kosovo (1999), envolvendo os sérvios e a minoria albanesa habitante dessa província iugoslava, que professa o islamismo.Em 2002, na tentativa de evitar nova fragmentação, o governo iugoslavo concedeu maior autonomia às duas repúblicas que formam o país, cujo nome foi mudado para Sérvia e Montenegro. Que tinham políticas externas e de defesa comuns, e mantinham moedas e economia independentes, e hoje em dia formam dois países distintos.

Conflitos no Oriente Médio
Sem dúvida é uma das regiões mais tensas e conflituosas do planeta, com guerras frequentes e atuação de grupos terroristas. Além de ser uma região estratégica, porque concentra aproximadamente dois terços das reservas mundiais de petróleo, não bastasse é uma área diversificada do ponto de vista étnico.
Após a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra mundial, o Oriente Médio ficou sob o controle das potências imperialistas européias: Reino Unido e França. Nas décadasde 1930 e 1940, com a vitória de movimentos nacionalistas, foram constituídos vários novos Estados na região. Os árabes, a etnia predominante, ficaram divididos em vários Estados. Os limites dos novos Estados foram fixados segundo acordos firmados entre as potências colonizadoras e os chefes políticos dos clâs mais poderosos da região. Por exemplo, a Arábia Saudita ficou com o clã al-Saud (Do qual se origina seu próprio nome); o Kuwait, com a família al-Sabah etc. Alguns povos que não tinham poder e influência, acabaram ficando sem território próprio. Como é o caso dos curdos e palestinos.

A questão dos curdos.
Curdistão é o nome dado a uma região que abrange territórios da Turquia, do Iraque, do Irã, da Síria e da Armênia.




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Nessa região, vivem cerca de 25 milhões de pessoas, o que compõem a maior nação sem Estado do mundo. O Tratado e Sèvres (1920) definia a autonomia do Curdistão, mas não foi posto em prática. No Tratado de Lausanne (1923), por causa da pressão da Turquia, já não havia menção ao Curdistão; as potencias européias retrocederam e os curddos ficaram sem Estado.
Além da oposição dos países onde eles vivem e da histórica omissão das potências mundiais, falta unidade entre os próprios curdos: há diversas facções rivais que historicamente lutam entre si.

Em território turco, onde vive a maioria dos curdos (eles são quase 20% da população da Turquia), atua um grupo guerrilheiro, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que luta pela autonomia deste território desde a década de 1980, quando iniciou suas atividades, fez diversos ataques terroristas contra alvos do governo turco. Em 2002 mudou de nome para Congresso para a Liberdade e a Democracia do Curdistão e passou a atuar apenas politicamente.

Na porção iraquiana há dois grupos curdos que desde os anos 1990 lutam pela hegemonia no movimento de resistência ao governo de Bagdá: a União Patriótica do Curdistão e o Partido Democrático do Curdistão. O movimento separatista foi duramente reprimido pelo governo de Saddam Hussein. Somente nas eleições de dezembro de 2005 esses grupos deixaram suas divergências de lado e formaram uma coalizão para representar os curdos no novo parlamento iraquiano e lhes garantir maior participação política. Os EUA também não apóiam o separatismo curdo no Iraque para não fragmentar o país nem criar precedente que fortaleça o movimento separatista curdo na Turquia.

A questão palestina e os conflitos entre árabes e judeus.
Israel precisa encarar a tragédia palestina de frente e dizer: 'Excetuando o suicídio, faremos tudo que pudermos para curar essa tragédia'. Vejo o conflito entre Israel e Palestina em 1948 como tragédia, porque foi um conflito entre o certo e o certo. Tanto palestinos quanto israelenses foram responsáveis por ele. Foi um conflito entre duas nações profundamente feridas, histéricas, aterrorizadas. Nenhum lado pode ter grande orgulho do que fez em 1948. Precisamos ver como poderemos curar essas feridas, lidando com os refugiados palestinos. Esses refugiados deveriam ser retirados de seus campos de refugiados agora mesmo, antes mesmo de sabermos quais serão as fronteiras exatas de uma futura Palestina. (...) É isso que é urgente, e não a culpa. Culpa é o que não falta: há o suficiente para todos.
Amós Oz. "Tragédia iguala todos na culpa", Folha de S. Paulo, 23 abr. 1998, p. 10.

A criação unilateral do Estado de Israel em 1948 levou ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio. Contando com o apoio incondicional dos Estados Unidos, assim como da ex-URSS para o estabelecimento de um lar judeu na Palestina, tarefa essa realizada pela então recém-fundada ONU, em 1947. Essa concordância aumentou sobretudo pelo sofrimento vivido pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, quando do Holocausto. Discordando da criação do Estado de Israel, os árabes travaram a primeira de uma série de guerras que se seguiram, mas ao final do conflito os palestinos ficaram sem território, lançado-se na diáspora. Atualmente, eles compõem o maior contingente de refugiados do mundo de um único povo, cerca de 3,5 milhões de pessoas.



(clique para ampliar)

Entre as guerras envolvendo árabes e israelenses, a de 1967 - denominada Guerra dos Seis Dias - acentuou as rivalidades por envolver territórios de outros países. Ao final do embate, Israel invadiu a Península do Sinai (Egito), a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e as Colinas de Golã (Síria). Contra essas ocupações, o Conselho de Segurança da ONU compôs a resolução 242 (1967), que exigia a retirada imediata das áreas ocupadas, mas o governo israelense jamais cumpriu tal exigência e nem por isso sofreu represálias.À medida que a conjuntura política se alterou, também a evolução dos conflitos sofreu mudanças drásticas. Após a morte de Nasser, a presidência de Anuar Sadat firmou com Israel o acordo de Camp David (Estados Unidos), em 1979, acertando a devolução dos territórios do Sinai. Esse acordo, visto pelos árabes como traição do governo do Egito à causa palestina, resultou no assassinato de Sadat em 1981. No ano seguinte, Israel invadiu o sul do Líbano, onde realizou massacres em 18 anos de ocupação, findos apenas em meados de 2000.

A situação dos palestinos confinados em áreas precárias - cujos recursos hídricos estão sob controle israelense, há altos índices de desemprego e total subjugo aos judeus - resultou na eclosão da Intifada ("revolta das pedras"). Durante alguns anos, os palestinos, sobretudo os jovens, enfrentaram as forças armadas israelenses nos territórios invadidos. Situação tremendamente desigual, que chamou a atenção da "comunidade internacional" para as condições de vida da população palestina. A resistência palestina, reunida em torno da Organização para Libertação da Palestina (OLP), criada nos anos sessenta e liderada por Yasser Arafat, deu ao povo palestino a dimensão de identidade coletiva.

Terminada a Guerra Fria e reduzido o apoio incondicional dos Estados Unidos a Israel, iniciaram-se conversações para o estabelecimento de um processo de paz. As primeiras reuniões ocorreram em Madri, em 1991. Dois anos depois, o líder palestino Yasser Arafat e o primeiro-ministro israelense Itzhak Rabin (1922-1995) firmaram o Acordo de Oslo I, em setembro de 1993, sob o patrocínio de Washington. O aperto de mãos entre os dois representou simultaneamente o reconhecimento do Estado de Israel por parte da OLP (pois na carta de fundação da organização estava prevista a destruição do Estado judeu) e a aceitação da OLP por parte de Israel, como legítima representante do povo palestino. No ano seguinte, a Autoridade Nacional Palestina passou a controlar alguns territórios da Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

O segundo acordo de Oslo (set. 1995), ampliou as áreas em questão e estabeleceu um cronograma para a retirada das tropas israelenses de porções da Cisjordânia. Porém, o assassinato de Rabin em novembro de 1995 abalou a política interna e repercutiu sobre o "processo de paz". Nas eleições do ano seguinte, sob uma nova onda de atentados contra alvos judeus, Benyamín Netanyahu (1996-99), do partido de direita Likud, acabou eleito e jogou um balde de água nas conversações. Além de estimular a criação de novas colônias judias em territórios palestinos, ele se referia a Arafat como terrorista.

A eleição de Ehud Barak em maio 1999, do Partido Trabalhista, favorável ao processo de paz, retomou as negociações. Inclusive, um corredor foi criado ligando a Faixa de Gaza à Cisjordânia. Mas o apoio interno de Barak diminuiu em meados de 2000. E o ponto central da questão palestina, ou seja, a declaração do Estado palestino em setembro de 2000, foi postergada. Arafat já havia declarado simbolicamente o Estado palestino em 1988, quando estava exilado.

Para o intelectual palestino Edward Said, crítico do processo, a paz corrupta de Arafat com Israel perdoou o movimento sionista por tudo que fez aos palestinos, a começar pela destruição de sua sociedade e a expulsão obrigatória de 70% deles da Palestina, em 1948, e acrescenta: nunca poderá haver paz entre os árabes palestinos e os judeus israelenses (e os muitos partidários da diáspora) até que se reconheça publicamente que a forma pela qual Israel despojou, oprimiu e roubou o povo palestino é uma questão de política de Estado.(...) Enquanto se negar ou se evitar encarar de frente a realidade básica - que Israel existe, como Estado judeu, graças ao fato de haver suplantado os direitos de todos os palestinos com um direito judaico 'superior' -, não pode haver nem conciliação nem coexistência verdadeira. (Folha de S. Paulo, 12 out. 1997, p. 1-25).

A onda de distúrbios ocorrida na segunda quinzena de setembro de 2000, quando o exército israelense reprimiu duramente manifestações palestinas na Cisjordânia e em Jerusalém, causando a morte de mais de uma centena de palestinos, inclusive de crianças indefesas, parece corroborar a tese de Said. Concessões significativas e a renúncia de Israel a ter um Estado exclusivamente judeu parecem ser o ponto-chave para uma verdadeira paz.

É muito difícil um acordo de paz nessa região, pois há radicais dos dois lados. Do lado palestino há três organizações que tem sido responsáveis por ataques terroristas contra a população israelense: o Hamas, a Jihad Islâmica e as Brigadas dos Mártires de al-Aqsa (grupo armado ligado a Fatah). Esses grupos são contrários a qualquer concessão a Israel e acreditam que os judeus devem ser expulsos da Palestina.

Do lado de Israel há os fundamentalistas religiosos que tem feito ataques contra árabes. Eles são contrários a qualquer concessão aos palestinos e acreditam que a “terra santa” só pertence aos judeus. Foram contrários à retirada dos colonos judeus que viviam em gaza e em alguns assentamentos na Cisjordânia, portanto em territórios já oficialmente devolvidos aos palestinos.

Todos vídeos, imagens e citações deste e de outros posts tem função meramente ilustrativa, lúdica e/ou sintética. Jamais foram, são ou serão alusão, demonstração ou sentimento de causa por e para algum veículo de comunicação específico ou aparelho ideológico. Igor Peixe

3 comentários:

Arthur disse...

Vlw professor, o resumo foi a salvação!

inhos disse...

vlw igor TA AJUDANDO BASTANTE:D

#*Grazi Melo*# disse...

Obrigada, ajudou muito.