terça-feira, 23 de março de 2010

Princípios Geográficos

No século XIX, do surgimento da Geografia como ciência, fez-se necessária a fixação de princípios metodológicos, que conferem-lhe o devido caráter científico. Os princípios formulados são os seguintes:

O princípio da extensão, concebido por Friedrich Ratzel (1844-1904). O princípio reza que é preciso delimitar o fato a ser estudado, localizando-se-o na superfície terrestre.

O princípio da analogia, também chamado Geografia Geral, exposto por Karl Ritter (1779-1859) e Paul Vidal de La Blache (1845-1918). Estes autores mostraram que é preciso comparar o fato ou área estudada com outros fatos ou áreas da superfície terrestre, em busca de semelhanças e diferenças.

O princípio da causalidade, formulado por Alexander von Humboldt (1769-1859), que diz respeito à necessidade de explicar o porquê dos fatos.

O princípio da conexidade ou interação, apresentado por Jean Brunhes (1869-1930). Segundo ele, os fatos não são isolados, e sim inseridos num sistema de relações, tanto locais quanto interlocais.

O princípio da atividade, formulado também por Brunhes, que afirma ter os fatos um caráter dinâmico, mutável, o que demanda o conhecimento do passado para a compreensão do presente e previsão do futuro.

O objeto material da Geografia é a Terra, a superfície terrestre, e seu objeto formal são as relações aí processadas. Com outras palavras, o objeto formal da Geografia é o estudo das relações locais (verticais) de fatores que diferenciam um lugar de outro, e das relações horizontais entre os lugares ou áreas.

Das diferentes interpretações da relação homem x espaço surgiram duas concepções geográficas:

A Escola Determinista, fundada por Ratzel, em 1822, que, como o nome indica, sugere que o espaço natural determina as formas de sua ocupação por parte do homem. Destarte, os povos do litoral seriam necessariamente pescadores, os de planalto criadores e os de planície mais naturalmente agricultores. O fascismo italiano do período entre guerras atacou veementemente essa teoria, negando que a Itália estaria fadada a ser uma potência de terceira ordem em função da não disponibilidade de carvão em seu território.

A Escola Possibilista, defendida primeiramente por La Blache e depois pela escola francesa que ele criara, não negava a influência que a natureza exercia sobre o homem, mas este pode escolher e modificar o espaço físico, conforme suas capacidades.

Percebe-se claramente que as duas concepções não exprimem uma verdade geográfica absoluta, uma vez que se baseam em momentos históricos diferentes, em que a ocupação do espaço pelo homem foi determinada por tal capacidade ou inabilidade. Ambas devem então ser tomadas como corretas, mas deve-se ter o cuidado de aplicá-las corretamente ao período ou localização estudada.

4 comentários:

Rodrigo disse...

power hug igor \o/ Rodrigo Amaral aqui parabéns pelo blog ta massa

Amanda Cavalcanti disse...

Muito obrigada, me ajudou muito num trabalho da escola.
Post muito completo e direto.Blog de primeira.
Valeu!

mariana mota de omena disse...

Muito massa!Gostei muito,até porque esse foi o material mais completo e resumido que encontrei.Bom de mais parabéns!

Henrique Gomes de Lima disse...

Saudações professor.
Texto simples e ao mesmo tempo completo e didático.
Vida longa mestre.