terça-feira, 25 de agosto de 2009

Energia limpa é tema de encontro entre autoridades do Brasil

Reunião foi na segunda-feira (17/08/2009), no Recife; na pauta de debate estavam os desafios e as oportunidades nos setores de biocombustíveis

Da Redação do pe360graus.com

O uso da energia limpa, que agride menos o ambiente, foi tema de uma discussão em Pernambuco na segunda-feira (17). Autoridades de todo o país estiveram no Recife para falar sobre os desafios e as oportunidades nos setores de biocombustíveis. Participaram do encontro o presidente do Sindicato das Indústrias do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar), Renato Cunha, e o superintendente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Florival Rodrigues.

Eles defendem o uso do bagaço da cana-de-açúcar para a fabricação de etanol, que é usado como combustível para os motores flex e que também pode ser utilizado para motores estacionários em sistemas isolados, como destacou Renato Cunha. “No futuro Fernando de Noronha poderia ter o etanol como combustível para poder gerar energia”, disse.

O presidente do Sindaçúcar e o superintendente na ANP também defendem a produção do biodiesel no Nordeste que recentemente foi favorecido por uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética que determinou o aumento de até 4% de biodiesel utilizado no Brasil.

A decisão é para diminuir a poluição do ambiente. “O diesel, o petróleo, têm um percentual de enxofre que contamina o ambiente através de emissões de particulados e principalmente das chuvas ácidas e quando se coloca uma mistura de combustível, que é o caso do biodiesel que é isento de enxofre, você consequentemente está diminuindo a poluição atmosférica", explicou Florival Rodrigues.

Para certificar que essa determinação está sendo obedecida a Agência Nacional do Petróleo realiza dois tipos de controle: via balanço de compras e vendas. “Quando uma distribuidora compra uma determinada quantidade de diesel tem que obrigatoriamente ter os 4% de biodiesel que ela compra nos leilões que a ANP faz regularmente. Além desse controle fiscal e de balanço de quantidades, há também os laboratórios de combustíveis espalhados pelo Brasil inteiro que faz essa análise de qualidade determinando se aquele diesel tem os 4% de biodiesel", disse o superintendente na ANP.

ENERGIA SOLAR

Outra alternativa para a diminuição do impacto negativo da produção de energia no ambiente é o uso de energia solar. No Recife, na Cidade Universitária, uma casa já funciona com o uso da energia solar. Além de melhor para o ambiente, o uso dessa tecnologia também reduz a conta de energia. “Essa forma de geração de energia elétrica está crescendo muito no mundo. No caso específico da casa, onde se tem 5,5 metros quadrados de área que capta o sol, é possível reduzir até 40% da conta de energia elétrica quando se faz uma média anual”, disse o professor Heitor Scalambrini Costa.

Apesar de chamar atenção para o fato de que qualquer tipo de energia é poluente, o professor defende o uso de alternativas que agridam menos o ambiente. “Qualquer tipo de energia polui, mas temos que procurar a que menos agride o ambiente, e sem dúvida a energia solar para a produção de energia elétrica é a que menos polui”, defendeu.

Apesar da produção de energia solar ser interrompida à noite e diminuída em dias de chuva, neve ou em locais com poucas horas de sol, esse tipo de energia ainda é o mais indicado como alternativa à energia convencional, por ter uma fonte inesgotável de energia, utilizar equipamentos de baixa manutenção e abastecer locais aonde a rede elétrica comum não chega.

“Lamentavelmente nós escutamos essa semana autoridades governamentais dizendo que vão instalar no Nordeste minas de energia nuclear para a geração elétrica. Eu considero que tanto para o Brasil, quanto para o Nordeste,essa fonte para gerar energia elétrica não é desejável quando a gente vê a quantidade de sol, de vento, de biomassa, principalmente a produção da bioeletricidade, que seria a queima do bagaço que nós fazemos muito pouco no Brasil e no Nordeste”, disse Heitor Scalambrini.

Confira os principais tipos de energia limpa:

O sol pode ser aproveitado como fonte de calor e de luz. A energia solar é abundante e permanente, renovável a cada dia, não polui e nem prejudica o ecossistema. A energia luminosa pode ser transformada em energia elétrica ou mecânica.

A energia eólica é gerada com a força dos ventos. Eles giram pás de grandes cataventos que acionam um gerador, produzindo corrente elétrica. É uma fonte de energia que pode abastecer lugares onde a rede elétrica comum não chega.

As águas do mar também geram energia limpa. Movimentam turbinas que acionam geradores de eletricidade, num processo parecido com o da energia eólica.

O biogás, resultado da transformação de excrementos de animais e lixo orgânico, como restos de alimentos, em uma mistura gasosa, que substitui o gás de cozinha, derivado do petróleo.

Os biocombustíveis, com a geração de etanol e biodiesel para veículos a partir de produtos agrícolas (como semente de mamona e cana-de-açúcar) cascas, galhos e folhas de árvores,que sofrem processos físico-químicos.

Pernambuco está na lista dos estados que podem receber usina nuclear

Da Redação do pe360graus.com

A Eletronuclear, empresa que administra as usinas nucleares no Brasil, vai fazer estudos, junto com a Comissão Nacional de Energia Nuclear, para escolher o lugar no Nordeste onde vai ser instalada a Central Nuclear. A área de interesse é no litoral entre a Bahia e Pernambuco. A Agência de Desenvolvimento do Governo de Pernambuco já se manifestou favoravelmente à construção das usinas no Estado.

Foi instalado no Recife, um escritório da Eletronuclear. O presidente da empresa, Othon Luiz Pinheiro da Silva, que é responsável pelo Programa de Desenvolvimento do Ciclo do Combustível Nuclear e da Propulsão Nuclear para Submarinos da Marinha da Presidência, tirou dúvidas sobre a energia nuclear no Brasil.

De acordo com ele, o local de implantação da Central Nuclear do Nordeste será definido com base em mais de dois mil critérios. “Estamos escolhendo dois locais por estado que sejam absolutamente corretos, estamos verificando para avaliar todas as restrições que podem ter”, afirmou o presidente.

Depois se selecionadas algumas alternativas, a Central Nuclear tem que ser aprovada pelo Congresso Nacional, explica Othon Luiz da Silva. “Temos que dar possibilidades ao Governo de um cardápio de possibilidades”, disse. “Começamos a trabalhar nisso há quase um ano, a localização do escritório é a fase final, temos que fazer levantamentos locais e parte social. O ideal é colocar a central onde provoque o desenvolvimento daquela micro-região”. A lista deve ser apresentada ao Governo até o início do ano que vem.

O presidente da Eletronuclear diz que a usina nuclear é como se fosse uma caldeira. “Mas ao invés de queimar combustível tradicional, queima o combustível nuclear, que tem a vantagem de não gerar gás carbônico”, observa.

Segundo Othon Luiz da Silva, a instalação de uma central gera muito pouco impacto ambiental na área, mas fomenta a economia local e gera novos empregos. “A produção no Nordeste deve gerar de seis a sete mil empregos durante a construção, e no funcionamento normal de uma central como essa, que começa com duas usinas e depois serão até seis usinas, que devão gerar até dois mil empregos diretos”, avalia.

Os nordestinos que vão trabalhar na central precisarão de qualificação. “Vamos estabelecer uma escola técnica próxima ao local, porque além de resolver o problema de mão-de-obra, diminui a rotatividade. Estamos fazendo isso em Angra”, explica. “Para nível superior, teremos três centros, no Rio, SP e estamos fazendo um acordo com a Universidade Federal de Pernambuco. A ideia é formar no Brasil no mínimo 50 mestres nessa ciência por ano”.

ACIDENTE
Apesar dos benefícios, a energia nuclear também gera o temor de acidentes, como o que ocorreu em 1986, na Ucrânia. A explosão da Usina de Chernobyl foi o maior acidente nuclear da história. A nuvem de radioatividade chegou a atingir a União Soviética na época, além de Europa Oriental e Reino Unido.

A temperatura chegou a atingir 200°C. Não se sabe, ao certo, o número de pessoas mortas pelo acidente e pela radiação liberada. Moradores tiveram que abandonar suas cidades. Em dezembro de 2000, depois de várias negociações internacionais, a Usina de Chernobyl foi desativada.

Há duas correntes para tentar explicar o que houve: falha humana e defeito no projeto do reator, especificamente nas hastes de controle. O presidente da Eletronuclear acredita na segunda possibilidade e diz que a central de Chernobyl nunca deveria ter sido instalada. “O reator usava grafite no núcleo, era um tipo de reator diferente e não tinha contenção”, explica. “Em Three Miles Island teve um acidente das mesmas proporções, mas não morreu ninguém, porque a central tinha proteção contra os acidentes”.

O deputado federal Fernando Gabeira, do Partido Verde, acredita que não há grandes preocupações na instalação de novas centrais nucleares. “Na Europa, existe a tendência de aceitar mais usinas nucleares, por causa do aquecimento global, e lá tem pouca água e pouco sol”, comentou. “Mas eu acredito que o caminho do século XXI é energia solar, nas suas várias formas. Acredito que ela vai superar todas as outras formas e em 30 anos isso não será mais uma grande discussão”.

Para Othon Luiz Pinheiro da Silva, o importante é garantir o fornecimento de energia elétrica com o menor impacto ambiental. “A energia nuclear é o ‘filho bastardo dos ambientalistas’, a sociedade brasileira não vai conviver com o resíduo nuclear, é pouco e é estocado, e não polui. Um dia ela será reconhecida”.

O valor estimado de todo o processo de implantação da Central Nuclear do Nordeste gira em torno de R$ 20 milhões. A primeira usina deve começar a ser construídas em 2019, e a segunda, em 2021.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Democracy 2.0

De autoria de Rafael Soares, Analista Consultor de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) na UPP - Unidade de Prospecção e Padronização, da ATI - Agência Estadual de Tecnologia da Informação / PE.

No dia 04 de Novembro de 2008, Barack Obama foi eleito o 44° Presidente dos Estados Unidos da América e se tornou o primeiro presidente negro da história daquele país. O presidente Obama, entretanto, não foi pioneiro apenas neste aspecto. Ele também é considerado o político que realizou a primeira campanha eleitoral efetivamente do Séc. XXI. Para se ter uma ideia, sua campanha ultrapassou o número de 3 milhões de contribuintes individuais, mais que o dobro do número de George W. Bush, quatro anos antes. A sua campanha, porém, ficou realmente marcada por ter sido uma campanha focada na tecnologia, em especial na Internet, ou melhor, na Web 2.0.

O perfil de Obama no Facebook tinha mais de 3 milhões de “amigos” (seis vezes mais que McCain), a lista de e-mail da campanha tinha cerca de 13 milhões de pessoas (mais que todas as listas do Partido Democrático juntas), além dos 57 perfis no My Space, um site e um blog oficial (sem contar os mais de 100 não oficiais), perfis no Facebook e Twitter (onde Obama obteve cerca de 250 mil “followers”) e 2 mil vídeos no Youtube (o principal deles foi visto por mais de 8 milhões de pessoas, atingindo uma notoriedade muito maior que na TV aberta). Não podemos dizer que Obama venceu por causa da Internet, mas sem ela dificilmente ele teria atingido essa vitória.

Após as eleições, durante a transição, Obama criou o site change.gov onde os cidadãos americanos podiam se cadastrar e submeter propostas para o novo governo, além de permitir que os usuários atribuissem notas a cada proposta, destacando as melhor avaliadas. O site, em apenas oito dias, recebeu mais de 125 mil usuários e 44 mil propostas, avaliadas 1.4 milhões de vezes. Os temas mais frequentes nas propostas foram economia, energia e meio ambiente. Uma das propostas, relacionada a emissão de poluentes pela indústria automotiva, foi colocada em lei por Obama já em Janeiro deste ano. Após a posse, o site foi migrado para http://whitehouse2.org/ e renomeado para White House 2.0.

Outra iniciativa que segue o mesmo caminho é o http://www.whitehouse.gov/open/ uma comunidade criada para promover debates e colher informações diretamente dos cidadãos, somando ao conhecimento dos funcionários públicos o conhecimento dos cidadãos, fazendo com que o governo tenha certeza que está tomando as decisões mais acertadas, de acordo com os desejos da sociedade americana. Por último, destacamos o Mixedink (http://www.mixedink.com/opengov/), uma ferramenta de wiki para que os cidadãos construam de forma colaborativa recomendações sobre como realizar um governo mais aberto, focando em três pilares: transparência, colaboração e participação.

Enquanto o Congresso Nacional Brasileiro discute a utilização ou não de dinheiro público em campanhas eleitorais, Barack Obama rejeitou tal artifício e focou nas contribuições individuais de baixo valor, mas bastante numerosas. Com isso, conseguiu mais de 6 milhões de doações abaixo de 100 dólares, o que constituiu a maior fonte de verba para custear a campanha.

O sucesso do presidente Barack Obama já despertou o interesse dos políticos brasileiros, que deverão importar tais iniciativas e utilizá-las na próxima campanha presidencial brasileira. O que resta saber é se, da mesma forma como está acontecendo lá, essas mudanças irão realmente se concretizar na política daqui e a opinião da sociedade brasileira será realmente ouvida, respeitada e levada em consideração pelo governo ou se continuaremos numa era em que políticos como nosso atual (por quanto tempo ainda?) presidente do Senado José Sarney se refere à internet como um “tsunami avassalador” que “acabou com a privacidade e os direitos individuais foram condenados a serem dinossauros de letras nas Constituições”. Os dinossauros, nesse caso, me parecem outros, Senhor Presidente.


Publicado em: http://rafaelbsoares.wordpress.com/ (Acessado em 18-08-2009)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Respondendo a algumas questões:

1-) De que forma o desenvolvimento da agricultura e da pacuária contribuiu para o surgimento das primeiras cidades?
Com o desenvolvimento dessas atividades, o aumento na produção de alimentos permitiram a divisão de algumas tarefas: alguns plantavam, outros produziam ferramentas, roupas e utensílios, outros exerciam a atividade comercial, além de sacerdotes, dirigentes e etc. Provocando assim o surgimento dos primeiros núcleos urbanos.

2-) Com a mecanização agrícola, o que aconteceu com agricultores de países desenvolvidos e subdesenvolvidos que migraram para as cidades?

De forma geral, ao longo da história, nos países desenvolvidos os migrantes do campo conseguiram encontrar trabalho nos demais setores da economia (industria, comércio e serviços), enquanto nos países subdesenvolvidos os investimentos produtivos eram escassos e os migrantes se sujeitaram ás adversidades do subemprego em condições muito precárias.
3-) Em países de clima temperado, o uso do arado acelera o descongelamento dos solos ao afinal do inverno, mas em regiões de clima tropical sua utilização pode provocar alguns problemas. Quais são os principais problemas provocados pela aração de solos de clima tropical úmido? Quais são as alternativas adotadas aqui no Brasil?
Em solos de clima tropical úmido, a aração revolve o solo, tornando-o mais exposto e muito mais suceptível à erosão. Além disso, o sol forte acaba matando os microorganismos que fazem parte da cadeia alimentar que existe nesses solos e são fundamentais para manter sua fertilidade natural. Entre as alternativas utilizadas no Brasil, destacam-se a associação de culturas e o recobrimento dos solos.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Fenômenos Climáticos - O caso El Niño e La Niña

Texto anteriormente publicado, revisto e corrigido para melhor entendimento do leitor, o Post anterior sobre El Niño e La Niña será apagado após a publicação deste.

O que é El Niño?
El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico Tropical, e que pode afetar o clima regional e global, mudando os padrões de vento a nível mundial, e afetando assim, os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias.
El Niño é uma componente do sistema climático da terra que é representada pela interação entre a superfície dos oceanos a baixa atmosfera adjacente a ele.
Os processos de troca de energia e umidade entre eles determinam o comportamento do clima, e alterações destes processos podem afetar o clima regional e global.
Representa o aquecimento anormal das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.

A palavra El Niño é derivada do espanhol, e refere-se a presença de águas quentes que todos os anos aparecem na costa norte do Peru na época de Natal. Os pescadores do Peru e Equador chamaram a esta presença de águas mais quentes de Corriente de El Niño em referência ao Niño Jesus ou Menino Jesus.
Na atualidade, as anomalias do sistema climático que são mundialmente conhecidas como El Niño e La Niña representam uma alteração do sistema oceano-atmosfera no Oceano Pacífico tropical, e que tem conseqüências no tempo e no clima em todo o planeta. Nesta definição, considera-se não somente a presença das águas quentes da Corriente El Niño, mas também as mudanças na atmosfera próxima à superfície do oceano, com o enfraquecimento dos ventos alísios (que sopram de leste para oeste) na região equatorial.
Com esse aquecimento do oceano e com o enfraquecimento dos ventos, começam a ser observadas mudanças da circulação da atmosfera nos níveis baixos e altos, determinando mudanças nos padrões de transporte de umidade, e portanto, variações na distribuição das chuvas em regiões tropicais e de latitudes médias e altas. Em algumas regiões do globo também são observados aumento ou queda de temperatura. A figura a seguir mostra a situação observada em dezembro de 1997, no pico do fenômeno El Niño 1997/98.

Anomalia de temperatura da superfície do mar em dezembro de 1998 mostrada na figura acima. Os tons avermelhados indicam regiões com valores acima da média e os tons azulados as regiões com valores abaixo da média climatológica. Pode-se notar a região no Pacífico Central e Oriental com valores positivos, indicando a presença do El Niño. Dados cedidos gentilmente pelo Dr. John Janowiak - CPC/NCEP/NWS/NOAA-EUA.

Algumas observações:
Evento de El Niño e La Niña tem uma tendência a se alternar cada 3-7 anos. Porém, de um evento ao seguinte o intervalo pode mudar de 1 a 10 anos;
As intensidades dos eventos variam bastante de caso a caso.

O El Niño mais intenso desde a existência de "observações" de TSM ocorreu em 1982-83 e 1997-98.
Algumas vezes, os eventos El Niño e La Niña tendem a ser intercalado por condições normais.
Como funciona a atmosfera durante uma situação normal e durante uma situação de El Niño?
El Niño resulta de uma interação entre a superfície do mar e a baixa atmosfera sobre o Oceano Pacifico tropical. O inicio e fim do El Niño é determinado pela dinâmica do sistema oceano-atmosfera, e uma explicação física do processo é complicada Para que vocês possam entender um pouco sobre isso, propõe-se um "modelinho simples”.

1)Imagine uma piscina (obviamente com água dentro), num dia ensolarado;
2) Coloque numa das bordas da piscina um grande ventilador, de modo que este seja da largura da piscina;
3) Ligue o ventilador;
4) O vento irá gerar turbulência na água da piscina;
5) Com o passar do tempo, você observará um represamento da água no lado da piscina oposto ao ventilador e até um desnível, ou seja, o nível da água próximo ao ventilador será menor que do lado oposto a ele, e isto ocorre pois o vento está "empurrando" as águas quentes superficiais para o outro lado, expondo águas mais frias das partes mais profundas da piscina.



É exatamente isso que ocorre no Oceano Pacífico sem a presença do El Niño, ou seja, é esse o padrão de circulação que é observado. O ventilador faz o papel dos ventos alísios e a piscina, é claro, do Oceano Pacífico Equatorial. Águas mais quentes são observadas no Oceano Pacífico Equatorial Oeste. Junto à costa oeste da América do Sul as águas do Pacífico são um pouco mais frias. Com isso, no Pacífico Oeste, devido às águas do Oceano serem mais quentes, há mais evaporação. Havendo evaporação, há a formação de nuvens numa grande área. Para que haja a formação de nuvens o ar teve que subir.

O contrário, em regiões com o ar vindo dos altos níveis da troposfera (região da atmosfera entre a superfície e cerca de 15 km de altura) para os baixos níveis raramente há a formação de nuvens de chuva. Mas até onde e para onde vai este ar? Um modo simplista de entender isso é imaginar que a atmosfera é compensatória, ou seja, se o ar sobe numa determinada região, deverá descer em outra.
Se em baixos níveis da atmosfera (próximo à superfície) os ventos são de oeste para leste, em altos níveis ocorre o contrário, ou seja, os ventos são de leste para oeste. Com isso, o ar que sobe no Pacífico Equatorial Central e Oeste e desce no Pacífico Leste (junto à costa oeste da América do Sul), juntamente com os ventos alísios em baixos níveis da atmosfera (de leste para oeste) e os ventos de oeste para leste em altos níveis da atmosfera, forma o que os Meteorologistas chamam de célula de circulação de Walker, nome dado ao Sir Gilbert Walker.

A figura a seguir mostra a célula de circulação de Walker, bem como o padrão de circulação em todo o Pacífico Equatorial em anos normais, ou seja, sem a presença do fenômeno El Niño. Outro ponto importante é que os ventos alísios, junto à costa da América do Sul, favorecem um mecanismo chamado pelos oceanógrafos de ressurgência, que seria o afloramento de águas mais profundas do oceano. Estas águas mais frias têm mais oxigênio dissolvido e vêm carregadas de nutrientes e micro-organismos vindos de maiores profundidades do mar, que vão servir de alimento para os peixes daquela região. Não é por acaso que a costa oeste da América do Sul é uma das regiões mais piscosas do mundo. O que surge também é uma cadeia alimentar, pois os pássaros que vivem naquela região se alimentam dos peixes, que por sua vez se alimentam dos microorganismos e nutrientes daquela região.





Circulação observada no Oceano Pacífico Equatorial em anos sem a presença do El Niño ou La Niña, ou seja, anos normais. A célula de circulação com movimentos ascendentes no Pacífico Central/Ocidental e movimentos descendentes no oeste da América do Sul e com ventos de leste para oeste próximos à superfície (ventos alísios, setas brancas) e de oeste para leste em altos níveis da troposfera é a chamada célula de Walker. No Oceano Pacífico, pode-se ver a região com águas mais quentes representadas pelas cores avermelhadas e mais frias pelas cores azuladas. Pode-se ver também a inclinação da termoclima, mais rasa junto à costa oeste da América do Sul e mais profunda no Pacífico Ocidental.

Deve ser notado, na figura acima, que existe uma região chamada de termoclina onde há uma rápida mudança na temperatura do oceano. Esta região separa as águas mais quentes (acima desta região) das águas mais frias (abaixo desta região). Os ventos alísios "empurrando" as águas mais quentes para oeste, faz com que a termoclina fique mais rasa do lado leste, expondo as águas mais frias.

Vamos agora voltar ao nosso "modelinho". Vamos imaginar o seguinte:
Desligue o ventilador, ou coloque-o em potência mínima. O que irá acontecer?
Agora, o arrasto que o vento estava provocando na água da piscina irá desaparecer ou diminuir. As águas do lado oposto ao ventilador irão então refluir para que o mesmo nível seja observado em toda a piscina. O Sol continuará aquecendo a piscina e as águas deverão, teoricamente, estar aquecidas igualmente em todos os pontos da piscina. Certo?

Então vamos correlacionar novamente com o Oceano Pacífico. O ventilador desligado ou em potência mínima, significa neste caso o enfraquecimento dos ventos alísios. Veja que os ventos não param de soprar. Em algumas regiões do Pacífico ocorre até a inversão dos ventos, ficando estes de oeste para leste. Agora, todo o Oceano Pacífico Equatorial começa a aquecer. E como dito anteriormente: aquecimento gera evaporação com movimento ascendente que por sua vez gera a formação de nuvens. A diferença agora é que ao invés de observarmos a formação de nuvens com intensas chuvas no Pacífico Equatorial Ocidental, vamos observar a formação de nuvens principalmente no Pacífico Equatorial Central e Oriental.



Padrão de circulação observada em anos de El Niño na região equatorial do Oceano Pacífico. Nota-se que os ventos em superfície, em alguns casos, chegam até a mudar de sentido, ou seja, ficam de oeste para leste. Há um deslocamento da região com maior formação de nuvens e a célula de Walker fica bipartida. No Oceano Pacífico Equatorial podem ser observadas águas quentes em praticamente toda a sua extensão. A termoclina fica mais aprofundada junto à costa oeste da América do Sul principalmente devido ao enfraquecimento dos ventos alísios.
Figuras gentilmente cedida pelo Dr. Michael McPhaden do Pacific Marine Environmental Laboratory (PMEL)/NOAA, Seattle, Washington, EUA.




O que é La Niña?

La Niña representa um fenômeno oceânico-atmosférico com características opostas ao EL Niño, e que caracteriza-se por um esfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Alguns dos impactos de La Niña tendem a ser opostos aos de El Niño, mas nem sempre uma região afetada pelo El Niño apresenta impactos significativos no tempo e clima devido à La Niña.

Você agora deve estar pensando. Ora, La Niña, como é o oposto, ou seja, é o resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, então os efeitos são exatamente opostos!
NÃO É BEM ASSIM!!!!!
O termo La Niña ("a menina", em espanhol) surgiu, pois o fenômeno se caracteriza por ser oposto ao El Niño. Pode ser chamado também de episódio frio, ou ainda El Viejo ("o velho", em espanhol). Algumas pessoas chamam o La Niña de anti-El Niño, porém como El Niño se refere ao menino Jesus, anti-El Niño seria então o Diabo e portanto, esse termo é pouco utilizado. O termo mais utilizado hoje é: La Niña.



Anomalia de temperatura da superfície do mar em dezembro de 1988. Plotados somente as anomalias negativas menores que -1ºC.


Pois bem. Agora, ao invés de desligar o ventilador, vamos ligá-lo com potência maior, ou seja, fazer com que ele produza ventos mais intensos. O que vai acontecer?Vamos tentar imaginar ? Com os ventos mais intensos, maior quantidade de água vai se acumular no lado oposto ao ventilador na piscina. Com isso, o desnível entre um lado e outro da piscina também vai aumentar. Vamos retornar ao Oceano Pacífico. Com os ventos alísios (que seriam os ventos do ventilador) mais intensos, mais águas irão ficar "represadas" no Pacífico Equatorial Oeste e o desnível entre o Pacífico Ocidental e Oriental irá aumentar.

Com os ventos mais intensos a ressurgência também irá aumentar no Pacífico Equatorial Oriental, e portanto virão mais nutrientes das profundezas para a superfície do Oceano, ou seja, aumenta a chamada ressurgência no lado Leste do Pacífico Equatorial. Por outro lado, devido a maior intensidade dos ventos alísios as águas mais quentes irão ficar represadas mais a oeste do que o normal e portanto novamente teríamos aquela velha história: águas mais quentes geram evaporação e consequentemente movimentos ascendentes, que por sua vez geram nuvens de chuva e que geram a célula de Walker, que em anos de La Niña fica mais alongada que o normal. A região com grande quantidade de chuvas é do nordeste do Oceano Índico à oeste do Oceano Pacífico passando pela Indonésia, e a região com movimentos descendentes da célula de Walker é no Pacífico Equatorial Central e Oriental.

É importante ressaltar que tais movimentos descendentes da célula de Walker no Pacífico Equatorial Oriental ficam mais intensos que o normal o que inibe, e muito, a formação de nuvens de chuva.
Em geral, episódios La Niñas também têm freqüência de 2 a 7 anos, todavia tem ocorrido em menor quantidade que o El Niño durante as últimas décadas. Além do mais, os episódios La Niña têm períodos de aproximadamente 9 a 12 meses, e somente alguns episódios persistem por mais que 2 anos. Outro ponto interessante é que os valores das anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) em anos de La Niña têm desvios menores que em anos de El Niño, ou seja, enquanto observam-se anomalias de até 4, 5ºC acima da média em alguns anos de El Niño, em anos de La Niña as maiores anomalias observadas não chegam a 4ºC abaixo da média.
Episódios recentes do La Niña ocorreram nos anos de 1988/89 (que foi um dos mais intensos), em 1995/96 e em 1998/99. "












Fonte:
Livro - O El Niño e Você - o fenômeno climático
Autor - Gilvan Sampaio de Oliveira

Imagens e Textos retirados de :
http://enos.cptec.inpe.br/


Um mundo organizado em blocos.


O capitalismo tende a se expandir continuamente; no entanto a divisão do mundo em Estados Nacionais, com suas respectivas fronteiras, moedas e alfândegas, cria barreiras para a circulação de mercadorias e capitais.

A formação de blocos Econômicos é uma tentativa de reduzir essas barreiras em escala regional. Organismos internacionais como, a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), buscam o mesmo objetivo em escala mundial, especialmente com o advento da globalização.


Dependendo do grau de integração, é possível definir quatro tipos de blocos econômicos:
• a zona de livre comércio;
• a união aduaneira;
• o mercado comum;
•A união econômica e monetária.


Os Blocos Americanos



Associação Latino-Americana de Integração (Aladi)
Primeira tentativa de integração, na América Latina, em 1960, com a criação da então Associação Latino-Americana para o Livre Comércio (Alalc), cuja proposta nunca realizada, era criar uma grande zona de circulação livre de mercadorias, sem incidência de impostos entre os seus países membros. Em outras palavras, seu objetivo era o de promover o comércio intra-regional entre seus países membros e o estabelecimento de um mercado comum latino americano.

Pelo Tratado de Montevidéu, de 1980, a Alalc foi transformada em Aladi, para dar continuidade ao processo de integração econômica.
É formada por 12 países: Bolívia, Equador, Paraguai, Chile, Colômbia, Cuba, Venezuela, Peru, Uruguai, Argentina, Brasil e México.



Nafta (North American Free Trade Agreement)
É o acordo Norte Americano de Livre Comércio: uma zona de livre comércio formada por Estados Unidos, Canadá e México. Entrou em vigor em 1º de Janeiro de 1994, quando as barreiras alfandegárias entre esses países começaram a ser eliminadas.
A criação do Nafta faz parte da estratégia dos Estados Unidos de fortalecer-se diante de seus competidores europeus da União Européia e da Ásia e enfrentar um mundo em que a globalização avança. O Nafta entretanto é apenas o começo dessa estratégia norte-americana, cujo objetivo final é a criação da Alca.


Mercosul (Mercado Comum do Sul)
É a união aduaneira de cinco países da América do Sul. Em sua formação original o bloco era composto por quatro países: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Desde 2006, a Venezuela depende de aprovação dos congressos nacionais para que sua entrada seja aprovada.


As discussões para a constituição de um mercado econômico regional para a América Latina remontam ao tratado que estabeleceu a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC) desde a década de 1960. Esse organismo foi sucedido pela Associação Latino-Americana de Integração na década de 1980. À época, a Argentina e o Brasil fizeram progressos na matéria, assinando a Declaração de Iguaçu (1985), que estabelecia uma comissão bilateral, à qual se seguiram uma série de acordos comerciais no ano seguinte. O Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento, assinado entre ambos os países em 1988, fixou como meta o estabelecimento de um mercado comum, ao qual outros países latino-americanos poderiam se unir.


Com a adesão do Paraguai e do Uruguai, os quatro países se tornaram signatários do Tratado de Assunção (1991), que estabelecia o Mercado Comum do Sul, uma aliança comercial visando a dinamizar a economia regional, movimentando entre si mercadorias, pessoas, força de trabalho e capitais. Inicialmente foi estabelecida uma zona de livre comércio, em que os países signatários não tributariam ou restringiriam as importações um do outro. A partir de 1 de janeiro de 1995, esta zona converteu-se em união aduaneira, na qual todos os signatários poderiam cobrar as mesmas quotas nas importações dos demais países (tarifa externa comum). No ano seguinte, a Bolívia e o Chile adquiriram o status de associados. O Chile encontra-se em processo de aquisição do status de associado pleno depois de resolver alguns problemas territoriais com a Argentina. Outras nações latino-americanas manifestaram interesse em entrar para o grupo, mas, até o momento, somente a Venezuela levou adiante sua candidatura, embora sua incorporação ao Mercosul ainda dependa da aprovação dos congressos nacionais do bloco.


Em 2004, entrou em vigor o Protocolo de Olivos (2002), que criou o Tribunal Arbitral Permanente de Revisão do Mercosul, com sede na cidade de Assunção (Paraguai). Uma das fontes de insegurança jurídica nesse bloco de integração era a falta de um tribunal permanente.
Muitos sul-americanos vêem o Mercosul como uma arma contra a influência dos Estados Unidos na região, tanto na forma da Área de Livre Comércio das Américas quanto na de tratados bilaterais. Uma prova disso é a criação da Universidade do Mercosul, que vai priorizar a integração regional no modelo de educação.


O objetivo do governo brasileiro é o de pelo Mercosul, integrar toda América do Sul numa zona de livre comércio que envolveria o Mercosul, a Comunidade Andina (Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia), o Chile a Guiana e o Suriname. Esse processo integracionista resultaria na área Sul-Americana de Livre Comércio, que tornaria a economia desses países mais forte e competitiva. Intenção essa que os EUA pretendem dificultar ao lançar a Alca.


Caricom
A CARICOM, antiga Comunidade e Mercado Comum do Caribe e atual Comunidade do Caribe é um bloco de cooperação econômica e política, criado em 1973, formado por quatorze países e seis territórios da região caribenha.
Estabelecido em 4 de Julho de 1973 pelo Tratado de Chaguaramas (Trinidad e Tobago) e com sede em Georgetown (Guiana), a CARICOM veio substituir a CARIFTA (Associação de Livre Comércio do Caribe), que existia desde 1965.
Países-membros:
Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Suriname, Trinidad e Tobago.
Territórios associados:
Bermudas, Montserrat (1974), Ilhas Virgens Britânicas, Turks e Caicos (1991), Ilhas Caimán, Anguilla (1999).



MCCA
O Mercado Comum Centro-Americano, ou somente MCCA, foi criado em 1960 e é formado até hoje pelos países fundadores Costa Rica, Guatemala, Honduras, Nicarágua e El Salvador.
Nasceu da tentativa de promover a paz na região, afetada por graves conflitos bélicos, como a Guerra do Futebol.
Em 4 de junho de 1961 foi assinado o Tratado de Integração Centro-Americana com o objetivo de criar um mercado comum nessa região.
Na mesma época foi criado o Parlamento Centro-Americano (Parlacen) e a Corte Centro-Americana de Justiça, que ainda não possui caráter permanente.
Hoje, os Estados-Membros do MCCA designaram um grupo de trabalho para preparar o processo de constituição da União Centro-Americana, nos mesmos moldes da União Européia.


Comunidade Andina
A Comunidade Andina de Nações é um bloco econômico sul-americano formado pela Bolívia, Colômbia, Equador e Peru (Venezuela deixou o bloco). O bloco foi chamado Pacto Andino até 1996 e surgiu em 1969 com o Acordo de Cartagena. A cidade-sede da secretaria é Lima, no Peru.
A comunidade andina possui 120 milhões de habitantes, em uma área de 4,700,000 quilômetros quadrados, com um produto interno bruto nominal de 280 bilhões de dólares.
Em 8 de Dezembro de 2004, os países membros da Comunidade Andina assinaram a Declaração de Cuzco, que lançou as bases da União de Nações Sul-Americanas, entidade que unirá a Comunidade Andina ao Mercosul, em uma zona de livre comércio continental.

Membros atuais:
Bolívia (desde 1969), em processo de se integrar ao Mercosul.
Colômbia (desde 1969), na estrutura da Unasul e membro associado do Mercosul.
Equador (desde 1969), na estrutura da Unasul e membro associado do Mercosul.
Peru (desde 1969)
Membros associados:
Argentina (desde 2005), na estrutura da Unasul.
Brasil (desde 2005), na estrutura da Unasul.
Chile (membro oficial de 1969-1976, observador 1976-2006, membro associado desde 24 de novembro de 2006, quando foi assinada a "Ata de Constituição da Comissão Mista entre a Comunidade Andina e o Chile" - é o primeiro passo para o retorno do Chile ao bloco, inclusive porque, nesta mesma Ata, criou-se um grupo de trabalho para pensar nas formas de representantes chilenos passarem a integrar os órgãos do bloco).
Paraguai (desde 2005),na estrutura da Unasul.
Uruguai (desde 2005), na estrutura da Unasul.


ALCA (Área de Livre Comércio das Américas)
A Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) é um acordo comercial idealizado pelos Estados Unidos. Este acordo foi proposto para todos os países da América, exceto Cuba, segundo o qual seriam gradualmente derrubadas as barreiras ao comércio entre os estados-membros e prevê a isenção de tarifas alfandegárias para quase todos os itens de comércio entre os países associados.
Este acordo foi delineado na Cúpula das Américas realizada em Miami, EUA, em 9 de Dezembro de 1994. O projeto é resultado da tendência, no contexto da globalização, onde os países procuram estreitar as relações comerciais por meio de uma integração mais efetiva, onde as trocas comerciais possam acontecer de forma menos burocrática e com maiores incentivos.


A ALCA seria composta por 34 países americanos, na prática os mesmos que integram a Organização dos Estados Americanos, exceto Cuba. Sua população seria de aproximadamente 800 milhões de habitantes e possuiria PIB superior a US$ 13 trilhões.
A iniciativa da criação de uma Área de Livre Comércio das Américas, lançada pelo Presidente George Bush, visa à criação de um imenso espaço econômico hemisférico. Estabeleceram-se negociações regulares, organizadas em torno dos temas de investimentos, serviços, acessos a mercados, agricultura, propriedade intelectual, políticas de competição, compras governamentais, resolução de disputas, trabalho e meio ambiente e, enfim, subsídios, anti-dumping e medidas compensatórias.


Durante sete anos, as negociações foram conduzidas sem que as sociedades tivessem conhecimento dos acordos que estavam tramitando. O início de 2005 foi estabelecido como prazo para a assinatura do Acordo, que deveria passar a funcionar no final deste ano.
Em 2001, por pressão da opinião pública, o texto da negociação foi disponibilizado no site da ALCA. O Governo de George W. Bush, que assumiu no início dos tempos tinha suas prioridades fora do continente e adotava uma postura unilateral no plano internacional. Ironicamente, todo esse poder e determinação produziram crescentes problemas para a ALCA. A Argentina sofreu seu colapso, enquanto a recessão se instalava no continente. Governos contrários ao projeto norte-americano também chegavam ao poder (Equador, Brasil e Argentina).
As manifestações do presidente Bush de que não estaria disposto a retirar os gigantescos subsídios agrícolas à agricultura americana e o protencionismo a produtos como o aço, devem-se à proximidade das eleições norte americanas nas quais deve concorrer à reeleição, bem como a medidas unilaterais destinadas a defender a economia americana.


O governo brasileiro, por sua vez, começou a negociar mais firmemente visando a defender os interesses econômicos brasileiros. Como Global Trader, ou seja, como um país que se relaciona comercialmente com vários outros, o Brasil deseja manter suas relações com diversas áreas do mundo, priorizando o Mercosul e a integração sul-americana através da Comunidade Sul-americana de Nações.
Na última reunião da ALCA, realizada em Port of Spain, os Estados Unidos deixaram claro que não estavam dispostos a ceder nas questões agrícolas e antidumping. Ocorre que para os países do Mercosul estes temas são fundamentais e, além disso, há questões na ALCA que não lhes interessam. Assim, não foi possível encerrar as negociações em 2005, embora alguns acreditem na possibilidade de ocorrer uma espécie de Mini ALCA ou ALCA Light.


Assim, a assinatura da ALCA, que muitos consideravam "inevitável" afigura-se mais complicada a cada dia, pela combinação de medidas unilaterais e exclusão de temas pelo governo americano com um novo protagonismo negociador pelo lado sul-americano, especialmente o Brasil. Apenas Chile e Colômbia são defensores das teses de Washington, sendo que a posição do Chile poderá ser alterada após a eleição de uma Presidente declaradamente "de esquerda". A questão é que os pontos das negociações que o Brasil deseja ver implementados não interessam aos EUA e vice-versa. O grande problema é que sem o apoio do Brasil a ALCA não será implementada, pois os EUA já têm acesso às economias dos demais países, que são de dimensões menores que a brasileira. Desta forma, a rodada final das negociações passa a ser marcada por um nível de incerteza que não existia anteriormente.
Atualmente, os Estados Unidos vêm preferindo celebrar tratados bilaterais de comércio com os Estados da América Latina, estratégia que permite a essa grande potência exercer maior poder de pressão.
Vale destacar que a ALCA foi literalmente BARRADA pelo povo Latino Americano. Sob a liderança do Presidente Lula a ALCA foi definitivamente deixada de lado.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Crescimento Vegetativo

Crescimento vegetativo ou natural é a diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade de um determinado local ou país geralmente expressa em porcentagem. Segundo a teoria da transição demográfica que defende que a transição da sociedade pré-industrial para a pós industrial percorre três ou quatro fases distintas (de acordo com a classificação), o crescimento da população oscilaria de acordo com estas fases, variando com ele a taxa de crescimento vegetativo.Na primeira fase ou fase “pré-industrial”, haveria um índice de crescimento vegetativo baixo devido aos altos índices de mortalidade e natalidade que iriam se equilibrar principalmente pelas baixas condições higiênico-sanitárias, por causa das guerras, epidemias, e etc.Na segunda fase ou fase transicional, podemos identificar dois períodos distintos que até podem ser considerados como fases distintas. No primeiro período nota-se um crescimento populacional elevado devido a queda na taxa de mortalidade ocasionada pela melhora nas condições sanitárias e de segurança (fim das guerras, avanços tecnológicos). No segundo período (ou terceira fase, de acordo com a classificação), notar-se-ia a diminuição da taxa de natalidade ocasionada por medidas de controle como planejamento familiar e métodos anticoncepcionais, fazendo com que o crescimento vegetativo volta aos níveis mais baixos.Numa terceira fase (ou quarta), a fase evoluída, tanto a taxa de natalidade quanto a de mortalidade voltam a se estabilizar, ocasionando uma taxa de crescimento vegetativo bastante pequena.Há quem considere a hipótese de uma quinta fase de crescimento demográfico onde o crescimento vegetativo seria negativo devido aos altos custos de vida que inviabilizariam famílias muito grandes, ou as tornaria indesejáveis para as pessoas que quisessem manter seus altos padrões de vida. Esse efeito já pode ser notado em países com Alemanha, Inglaterra e outros países de industrialização desenvolvida. A principal desvantagem, segundo os especialistas é que com a taxa de natalidade baixa e a expectativa de vida cada vez maior, haverá um colapso nos sistemas previdenciários de muitos países que não foram elaborados para este tipo de situação.

IDH-M DENTRO DO RECIFE VAI DA ÁFRICA À NORUEGA

Orla tem índice mais alto; ilha fluvial tem menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal.

O cartão-postal do Recife é também seu lugar de mais alto desenvolvimento humano. A orla da praia de Boa Viagem até o Pina atingiu o maior IDH-M no Atlas do Desenvolvimento Humano no Recife, elaborado pela Prefeitura de Recife em parceria com o PNUD. Por outro lado, o Atlas revela que a favela nacionalmente mais famosa do Recife, a de Brasília Teimosa, não é o lugar cuja população vive em piores condições.

O menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (versão do IDH adaptada aos indicadores regionais) é o da área conjunta formada pela Ilha Joana Bezerra, São José e Zeis Coque.
Há diferenças metodológicas entre o cálculo do IDH para os países e o do IDH-M dos bairros do Recife.

Mas vale a pena comparar os resultados para enfatizar as disparidades internas da capital pernambucana. Assim, percebe-se que a distância de poucos quilômetros que separa Boa Viagem da Ilha Joana Bezerra é, do ponto de vista do desenvolvimento humano, tão grande quanto a que distingue a Noruega, campeã mundial do IDH, de países da África subsaariana como o Gabão.

O Atlas apresenta várias divisões espaciais da capital pernambucana. Partindo dos seus 94 bairros, as áreas são agregadas até chegar a seis regiões político-administrativas, a 18 microrregiões e 61 Zeis (Zonas Especiais de Interesse Social), onde moram populações de baixa renda. Trabalha ainda com uma nova subdivisão: as Unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs) ? unidades básicas adotadas no Atlas para caracterizar as áreas da cidade e melhor identificar as desigualdades sociais intra-urbanas. As 62 UDHs agregam bairros e/ou os subdividem de acordo com características socioeconômicas semelhantes de seus moradores.

As UDHs foram usadas para cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), bem como as áreas agregadas mais amplas. No topo do ranking aparecem as áreas mais ricas da capital pernambucana: a orla de Boa Viagem/Pina (índice 0,964), o agregado dos bairros residenciais de Graças/Aflitos/Derby/Espinheiro (0,953), a área contígua ao Shopping Recife em Boa Viagem (0,935), por exemplo. Das 62 UDHs do Recife, nada menos do que 20 estão na faixa considerada de IDH alto, ou seja, acima ou igual a 0,8.
Do ponto de vista geográfico, como se vê no mapa abaixo, os bolsões de alto desenvolvimento humano se concentram em duas regiões do Recife: Boa Viagem e um conjunto de bairros entorno das Graças e Aflitos localizados à margem ou próximos do rio Capibaribe. É nessas áreas que se encontram a maior renda familiar per capita (R$ 1.863,64 em Boa Viagem/Pina), a maior esperança de vida ao nascer (78,7 anos na mesma área), a maior taxa de alfabetização (98,2% na área de Boa Viagem próxima ao shopping) e a maior taxa bruta de freqüência à escola (115% em Graças/Aflitos) da cidade.
No Recife, a disposição das áreas de alto e baixo desenvolvimento humano é uma mescla dos padrões carioca e paulistano. Ou seja, regiões de IDH-M elevado convivem lado a lado com as áreas de menor desenvolvimento, assim como as favelas dos morros do Rio de Janeiro estão incrustadas nos ricos bairros da Zona Sul. São os casos da Ilha Joana Bezerra, das favelas de Brasília Teimosa, João de Barros e Santo Amaro, por exemplo.

FIG. 1 – RECIFE - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, por Unidades de Desenvolvimento
Humano - 2000




Ao mesmo tempo, há situações semelhantes às da periferia de São Paulo, onde a concentração de pobreza e a exclusão social aumentam à medida que os bairros se distanciam do centro. O mapa a seguir demonstra que as maiores taxas de crescimento populacional ocorrem justamente na periferia do Recife, enquanto as populações das áreas mais desenvolvidas estão estabilizadas ou diminuindo de tamanho. Essa diferença não decorrem necessariamente de taxas de fertilidade diferentes, mas sobretudo das migrações ? provenientes de outros bairros da capital ou de outras cidades ? que acabam inflando a população das regiões periféricas do Recife. Algumas dessas áreas, como o bairro de Apipucos e seus vizinhos no norte da cidade, estão entre as mais mal classificadas no ranking do IDH-M.
E o que é pior, perderam muitas posições ao longo da última década.





O IDH-M é uma síntese de três dimensões do desenvolvimento humano: longevidade, educação e renda.
Cada uma dessas dimensões é avaliada por um sub-índice específico, e o IDH-M é calculado a partir da
média aritmética desses três sub-índices. A dimensão educação é a única avaliada por dois indicadores:
taxa bruta de freqüência à escola e taxa de alfabetização. A dimensão longevidade é medida pela esperança de vida ao nascer, e a dimensão renda, pela renda domiciliar per capita. O índice varia entre
o mínimo de 0 e o máximo de 1.


Fonte: RECIFE.Prefeitura; PNUD. Atlas do Desenvolvimento Humano no Recife. 2005.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Obama Obama e mais Obama...


Nesses últimos dias se eu for contar quantas vezes escutei nos noticiários o nome do próximo presidente dos Estados Unidos da Améria, certamente ficaria enjoado, chega a doer tamanha cobertura dada a tal fato, tá, digamos, importante...
Meu espanto hoje foi com a comoção geral. Juro que me senti um extra-terrestre. Em casa, na rua, na padaria e nas escolas que trabalho só se falava de Obama. Com um olhar consternado, uma pessoa muito próxima chegou a me dizer: "eu queria estar em Chicago, ouvir Obama, participar da festa da vitória."
Festa de quem, cara-pálida?

Sinceramente, senti emoção mesmo quando Lula venceu em 2002. Aquilo me tocou, aquilo dizia respeito a mim.
Quanto a Obama, bem... Posso dizer que senti mais emoção com a conquista da Copa do Brasil do Sport do que com a vitória dele.
Sou um chato? Um mal-humorado?
Um nacionalista idiota? Talvez...

Deixemos a emoção de lado. E façamos, então, a leitura política dos fatos: a vitória de Obama significa uma virada de página, a derrota definitiva do conservadorismo, do projeto imperial americano, certo?
Não! Claro que não.
Obama derrotou o conservadorismo nas urnas, numericamente. Isso é fato.
Mas, a vitória dele não significa que ingressamos numa nova fase.

Não dá pra comparar com a vitória do Exército Vermelho sobre Hitler, por exemplo. Ou com a sova dos vietnamitas sobre as tropas imperialistas dos Estados Unidos. Muito menos com a queda do Muro de Berlim.

A vitória de Obama é uma vitória parcial. Muito parcial.
Uma vitória liberal. Como a de Carter nos anos 70. A de Clinton nos anos 90.
A diferença é o aspecto simbólico: agora é um negro governando um país racista.
Mas, por baixo do símbolo, há uma virada de página?
Sinceramente, acho que não!

Digo isso baseado nos números.
Vocês deram uma olhada no mapa da votação?
Ok, Obama ganhou na Flórida, no Novo México, no Colorado - territórios republicanos.

Mas, vocês viram qual foi à diferença na Flórida? Menos de 200 mil votos!
E a diferença nacional? Menos de dez milhões de votos!

Bush - como se sabe - quebrou os Estados Unidos, horrorizou o mundo, criou a terrível base de Guantánamo, passou por cima da ONU, e é o presidente estadunidense mais desprezado no Mundo nos últimos 50 anos.
McCain, candidato republicano, deveria ter levado uma surra homérica. Deveria ter sido caçado pelo eleitor, feito uma ratazana prenhe - como diria Nelson Rodrigues. No entanto, perdeu por pouco no voto popular.

No Colégio Eleitoral, a vitória de Obama foi esmagadora, isso é fato.
Mas, no voto popular, não!
Isso significa o que? Que o conservadorismo republicano está mais vivo que nunca. Vai se reagrupar.
A direita religiosa, os intervencionistas, os imperialistas, os racistas, a horda de bárbaros que levou Bush ao poder segue firme.
Despreza o que o mundo possa pensar, desconfia dos negros, dos latinos, e vai partir pra cima de Obama assim que se passarem os cem dias tradicionais de trégua no início de governo.

Mas, isso não é o mais grave. Isso é problema deles!

O que interessa a nós é que a máquina de guerra dos Estados Unidos não vai desaparecer.
O Imperialismo assumirá novas faces. Vem aí, de volta, o "soft power".
Clinton visitou o morro da Mangueira, vocês lembram? Obama também deve passar por lá nos próximos anos. Pode dar um pulo até o Haiti, um giro pela África, bater um papo com o Fidel...

Não acredito que a vitória de Obama abra uma nova fase na história mundial.

O Capitalismo não muda porque um negro chegou à presidência dos EUA.
O Capitalismo segue em crise. Os "red necks", que formam a base republicana na América profunda e que votaram de forma esmagadora em McCain, vão perder seus empregos com a crise que seguirá imensa. Mas, não botarão a culpa no legado de Bush. Vão pra cima de Obama, cobrando que ele "Salve a América".

Obama não poderá salvar os Estados Unidos de seus próprios erros...

Ele é apenas um liberal que venceu porque o adversário conservador quebrou o país.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Cidades Globais


Cidades globais são aquelas que possuem uma relativa influência no cenário mundial, geralmente abrigam entidades, organizações, conferências internacionais, instituições financeiras etc. Uma cidade global não se caracteriza pelo número de habitantes, desse modo existem centros urbanos que aglomeram milhões de pessoas e não se destacam com essa condição, há também aquelas de pequeno porte de enorme importância no cenário mundial.  Todas as cidades globais não se encontram em um mesmo nível de influência, com base nesse fato esses centros urbanos foram classificados em três grupos, denominados de grupo alfa, beta e gama. Hoje são considerados cidades globais 55 centros urbanos dispersos pelo mundo. A Europa é o continente que possui maior quantidade de cidades (22) com tal característica.  A instituição responsável por classificar as cidades como global ou não, é a Universidade de Loughborough (Londres) em uma fase inicial e posteriormente aperfeiçoada pela Globalization and World Cities Study Group & Network. Os níveis de influência das cidades atingem até 12 pontos na classificação.  Grupo Alfa (10 a 12 pontos): Composto por um restrito número de cidades, são elas: Londres, Nova York, Paris, Tóquio, Los Angeles, Chicago, Frankfurt, Milão, Hong Kong e Cingapura.  Grupo Beta (7 a 9 pontos): Constituído por 10 cidades, entre elas quatro européias, são: São Francisco, Sidney, Toronto, Zurique, São Paulo, Cidade do México, Madri, Bruxelas, Moscou e Seul.  Grupo Gama (4 a 6 pontos): Formado por 35 cidades, 14 delas européias, são elas: Osaka, Pequim, Boston, Washington, Amsterdã, Hamburgo, Dallas, Dusseldorf, Genebra, Xangai, Montreal, Roma, Estocolmo, Munique, Houston, Barcelona, Berlim, Jacarta, Johannesburgo, Melbourne, Praga, Santiago, Taipe, Varsóvia, Atlanta, Budapeste, Buenos Aires, Copenhague, Istambul, Kuala Lumpur, Manila, Miami, Mineapolis, Bangcoc e Caracas.

Por Eduardo de Freitas Graduado em Geografia Equipe Brasil Escola (http://www.brasilescola.com)